Vesícula: Parte II

Vesícula Biliar

O Grande dia chegou, o dia em que fui internado às 20h00 no Hospital Santa Rita. A recomendação que eu fizesse minha última refeição leve às 19h00 e depois ficasse de jejum absoluto até 07h do dia seguinte para a remoção da vesícula. No dia da cirurgia fui acordado por um enfermeiro às 5h00 da manhã que tirou minha pressão e colocou um acesso, voltei a dormir mas às 6h10 fui acordado novamente e dessa vez para ir ao centro cirúrgico. Tive que tirar toda a roupa e usar aquela roupa de cirurgia, onde suas costas fica toda de fora e para quem usa piercing, anel, brincos, relógio e dentadura devem ser retirados.

Me dava uma aflição por eu estar na maca e passando pelos corredores e elevadores, nessas horas eu já estava um pouco nervoso. Me deixaram dentro da sala de cirurgia sozinho, o enfermeiro foi embora e fiquei naquela sala cheio de aparelhos, aquela luz na minha cara, aí eu comecei a ficar mais aflito. A sala é bem parecida com a imagem abaixo, eu ali sozinho e um silencio sepulcral, para piorar tinha um relógio que fazia tic tac, tic tac e tic tac e isso me deixava mais ansioso.

Ás 6h45 já dava para ouvir a movimentação nos corredores e som de pessoas lavando as mãos na torneira. Entrou a anestesista na sala e me fez várias perguntas, como por exemplo, se eu já tinha feito uma cirurgia, se faço uso continuo de remédios e etc… Em seguida um enfermeiro começou a colocar os eletrodos no meu peito e me deixaram novamente sozinho na sala. Fiquei sozinho por 10 minutos mas parece que foram os 10 minutos mais longos da minha vida. Imaginem vocês na sala de cirurgia olhando para o monitor cardíaco que estava a 77pm, o som do tic tac do relógio, o bipe do monitor cardíaco e o medidor de pressão comprimindo meu braço, quando fui vê os batimentos estavam em 109pm.

Entram na sala o cirurgião Dr. Henrique, a anestesista, dois médicos auxiliares e depois enfermeiros, aí vi que não tinha mais volta, minha vesícula estava com os minutos contados. A anestesista me disse que iria aplicar a anestesia e que iria me deixar um pouco tonto, a verdade que esse primeira dose não senti nada, logo em seguida ela aplicou uma nova dose e disse que se eu sentisse algo estranho era pra avisá-la. Me deram oxigênio para facilitar na minha respiração e em 20 segundos comecei a perder o foco da visão, minhas pálpebras piscavam muito rápido como se eu não dormisse há uma semana, só deu tempo de dizer que estava fazendo efeito, pronto, depois eu não lembro de mais nada.

O momento que mais desejei, o acordar da cirurgia.

De repente acordo com muito sono, passo a mão na minha barriga e sinto três curativos, olho para os lados e estou em um corredor com cortinas que me isolam de outras macas. Não estava com dor, apenas um pequeno incomodo dos pontos. Um enfermeiro me chama pelo nome, ele me pergunta se estou bem, se sinto enjoo, digo que estou bem e que não sinto nada, pergunto que horas são e ele me diz 10h30. O enfermeiro me leva para o quarto e no corredor onde eu estava tinha pelo menos 20 macas com pessoas no mesmo estado que eu, todos estão com soro e se recuperando da anestesia. Pergunto para o enfermeiro se aquelas pessoas haviam feito cirurgias também, ele me diz que sim e que em média o hospital faz cerca de 80 cirurgias por dia. Em fim chego no meu quarto e assim ficarei em observação por 24 horas.

Na terceira e última parte vou falar sobre a recuperação, as dificuldades de conviver sem a vesícula e como meu corpo se adaptou ao passar do anos.

Saiba como tudo começou e como meu corpo se adaptou ao longo do tempo..

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